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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

OUÇAM FILHAS:

Talvez não fosse a mãe que desejaram
Nem vos dei tudo aquilo que queria,
A minha bolsa sempre foi vazia
Para vos dar aquilo que ambicionaram.

Lutei sozinha para o melhor vos dar,
Sem tréguas no trilhar do dia-a-dia,
No meu viver sem paz, só de agonia
Sem meios p'ra formar um novo lar.

Agora mais que nunca estou cansada,
Sem forças para viver esta agonia
Duma paz podre p'ra que fui fadada,

E neste fim de estrada em que vegeto,
Já nada sou, apenas objecto,
E serva de quem nunca me deu nada.

21/2/2008
Manuela Figueiredo Sopas

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

TRISTEZA

Nem um murmúrio no ar
Na solidão de meu lar
Onde só meus passos escuto,
Nem saltitar de criança
Nem o roçar duma trança
Onde sempre paira o luto

Nas paredes alinhados
Há quadros já degradados
Que ninguém ousa fitar,
São cheios de romantismo
Mas não me salvam do abismo
Que se alojou no meu lar.

Num caminhar apressado
Caminho até ao mercado
Passando pelo jardim
E ao longe, p'ra recordar
Avisto a praia e o mar
Tão perto, e longe de mim....

Regresso em passo cansado
Sinto a Djali a meu lado
Madeiro de peso enorme,
Num lugar longe do meu
Coberta por terra e céu
Agora p'ra sempre dorme.

Mas porquê, Senhor, nos deste
O que a sofrer Tu perdeste
Neste mundo conturbado,
Porque nos deste o nascer
Se teremos de morrer
Sem sequer termos pecado?

Manuela Figueiredo Sopas

2/6/2008